Irmãos Lumière

Nesses dias, estou ficando meio que obcecado pelo cinema dos Irmãos Lumière, vendo alguns filmes vinte, trinte vezes. Os Irmãos Lumière foram grandes gênios do cinema. Eles não se preocupavam com uma narrativa, com ganhar dinheiro, isso veio depois: sua preocupação pura e simples era entender qual era a essência do cinema. E concluíram de forma brilhante: “o cinema é uma invenção sem futuro.”

A Chegada do Trem na Estação e A Saída dos Operários das Usinas são duas grandes obraas-primas. Gosto muito também de Demolição de um Muro. São filmes extremamente atuais, são cinema contemporâneo. Várias das questões que estão sendo discutidas hoje sobre a natureza e a função do cinema estão lá nesses dois pequenos filmes de um minuto. Não é à toa que Jonas Mekas dedica a eles o seu Walden. O que nos surpreende é como são filmes simples mas que escondem inúmeras complexidades.

Um tema que me interessa em muito é a questão da liberdade. Como abordar um tema tão complexo num filmete de um minuto, em um único plano? Hoje é difícil pensar “de forma livre” a questão, pois nosso subconsciente está contaminado com os filmes publicitários e os “festivais do minuto” da vida, o que dá no mesmo.

Os Irmãos Lumière responderam a questão de forma simples, de forma mágica, de forma profundamente intelectual e de forma humana. Colocaram uma câmera em frente à fábrica Lumière (um filme pessoal), num plano frontal, de forma que temos a expressão particular de cada um e ao mesmo tempo temos a impressão de uma certa massa humana. Há algo que melhor expresse a liberdade do que os operários saindo da fábrica em um dia comum?

Comentários

Sandro Saraiva disse…
Marcelo,

Tudo bom cara?

Você recebeu meus e-mails falando do fechamento da edição 23 da Etcetera?
Enviei para aquele do ancine.

Abraço,
Sandro
sandrosaraiva@yahoo.com.br

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