Meu Tio Antoine

Meu Tio Antoine
de Claude Jutra
Unibanco Arteplex, dom
* ½

Este Meu Tio Antoine é considerado o mais importante filme da história do cinema canadense. Pelo que vimos, não significa grande coisa, já que no filme nada há que possa justificar o rótulo, em termos da representatividade de um país ou de uma cinematografia.

O filme se passa num natal, e acompanha o dia festivo numa cidadezinha do interior do Canadá, em que uma família é dona da principal loja da região e ainda é uma espécie de agente funerária do local. O ponto de vista da narrativa é confuso, mas já pelo título identificamos que é o de uma criança, um pré-dolescente um tanto rebelde que observa os fatos com uma certa distância crítica.

Poderíamos esperar um daqueles filmes fofinhos de crianças e natal, e Meu Tio Antoine não deixa de ser isso. Mas por outro lado há um certo desconforto na forma como Jutra apresenta esse conto natalino. Essa transição para a fase adulta não deixa de ter alguns pontos de crueldade, refletindo uma perda da inocência e uma certa descrença em relação à conservadora sociedade canadense.

No início há algumas peripécias um tanto ingênuas, que coroam a primeira parte do filme: os preparativos para o natal, o pequeno namorico entre os dois jovens, uma espiada numa mulher gostosa que vai experimentar uma roupa.

Mas o filme sofre uma transformação quando uma pessoa morre, e o menino acompanha o dono da loja até o local. O filme passa a ter um tom ligeiramente mórbido, e até sarcástico. O menino acaba sendo testemunha dos infortúnios daqueles adultos que vivem num mundo patético e sem perspectivas. As situações acabam se revelando grosseiras e patéticas. O menino de família mais pobre morre subitamente. O menino alter-ego do filme cresce, em sua cruel transição para a fase adulta.

Ainda assim, Meu Tio Antoine não é um grande filme. Uma dificuldade na encenação, alguns movimentos de câmera um tanto titubeantes (por exemplo zooms estranhos que envelheceram), um roteiro mal articulado acabam tornando o filme um tanto desengonçado em termos da direção e da mise-en-scene. Mas ainda assim, por esse tom ambíguo, Meu Tio Antoine garante um certo interesse.

Comentários

Amnhã tem Os Amantes Crucificados do Kenji, 1600h ccbb, viu?
Abraço.
benechaves disse…
Olá!
Acabei de ler os seus comentários sobre três filmes do Dreyer no blogue do Moacy Cirne. E vim correndo espiar o seu espaço. Não conheço nenhuma das fitas que comentou, embora saiba que existe em dvd e tentarei adquiri-las. Parabéns pelos belos textos. E boa sorte!

Um abraço...
Cinecasulófilo disse…
CRIS, esse horario pra mim é brabo, mas o filme de Mizoguchi é imperdivel.
BENE, grato pelas palavras. Dá uma olhada nos arquivos do blog, tem coisas bem diversas.
Anônimo disse…
NSU - 4efer, 5210 - rulez

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