Não há nenhuma palavra que me associe mais ao modo burguês de ser do que o “tédio”. Uma coisa é a “angústia”, outra coisa completamente diferente é o “tédio”, assim como uma coisa é a “consciência da gratuidade da vida” e outra é “viver conscientemente de modo gratuito”. O “tédio” está associado à superfície das coisas, a “angústia”, a um sentimento profundo, a um profundo conhecimento de si mesmo, enquanto o “tédio”, ao contrário, é um estranhamento diante do mundo e diante de si mesmo. A angústia me remete ao modo de ser oriental, ao expressionismo alemão, a um certo período marcado no tempo pelo existencialismo; o tédio me lembra de um certo trejeito americano ou ainda do pós-modernismo. O tédio é blasé; a angústia, serena humildade. O risco diante do cinema de Sofia Coppola, diante de uma obra-prima como Encontros e Desencontros é exatamente o de que essa angústia descambe em mero tédio. O que de antemão não o faz melhor ou pior, mas apenas está relacionado a como se vê o mundo, e qual o papel do cinema - ou ainda, da arte - diante dele.

Comentários

Rodrigo disse…
Ikeda, li no blog do Sérgio Alpendre que você fará parte de um debate com Francis e Ruy. Boa sorte lá! Gostaria muito de ir assistir mas fica um pouco distante, rs.
Ao que parece, vai ser mesmo um debate. E muito interessante de quem partiu essa idéia, de pegar essas três vertentes para falar sobre cinema. Três visões diferentes e, eu espero, complementares.
Abraço!
Cinecasulófilo disse…
é, meu caro, ossos do ofício... no final das contas, dos males o menor, pelo menos vou conhecer o Francis.
Rodrigo disse…
Hehehe. Com certeza. Pelo menos não é com a fraude intelectual do Valente, que não teria nada a somar num debate.

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