Munique

Munique
De Steven Spielberg
Cinemark Botafogo 5, sab 12:20
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É difícil ter o que falar sobre Munique. Nem eu, que sou fã dos últimos filmes do Spielberg consegui engolir. Parece que aqui Spielberg quis fazer um filme mais próximo de um A Lista de Schindler: um filme político (evidentemente um filme falsamente político), que supostamente trata de “temas importantes”, mas um filme menos de invenção, menos de cinema. Como o tema em si não me interessa (isto é, não sou judeu nem palestino), o filme foi completamente entediante.

O filme é sobre a vingança, ou melhor, sobre a impossibilidade de vingança. O grupo planeja o assassinato de líderes, para vingar o fato lá de Munique, só que os assassinados são substituídos por outros, talvez mais cruéis que os primeiros, isto é, a fila anda, as coisas mudam para continuarem como estão, e então a vingança é tola e vã. Esse é o humanismo de Spielberg. Mas o filme mostra morte a morte coroando o cinema de suspense (a bomba vai estourar ou não, etc, etc), o que faz com que, depois da segunda morte, fiquemos absolutamente de saco cheio de tudo isso.

Nos últimos vinte minutos, o filme retoma seu interesse, quando desenvolve as questões sobre o fato daquele palestino ter que ser um estrangeiro defendendo as causas do seu país. (Como por causa do Desertum estou debruçado sobre as questões do estrangeiro, isso me interessou em muito, especialmente as cenas nos Estados Unidos). O filme foca na questão da família (pra variar na filmografia de Spielberg) e aí temos que o líder do grupo terrorista se torna quase como John Wayne em Rastros de Ódio: ele tem o dever de fazer justiça e parte em sua peregrinação insana. E tem o seu interesse, um filme reticente, o tom de paranóia do líder. A “medalha que não é ganha”, como se fosse um filme de guerra. Mas isso não salva o sonolento e pouco inspirado desenvolvimento do quase burocrático Munique. Ou seja, prefiro os filmes atípicos de Spielberg, porque quando ele faz cinema a sério.... hmmmmm... é dureza!

p.s: a projeção do Cinemark e o público foram TÉTRICOS! O som falhava, etc.

Comentários

Marcos disse…
Gostei do filme... da luz, das cores, dos enquadramentos... Mas quando coisa passa pro lado do arrependimento, da culpa e das incertezas, me deu dor de cabeça! Que é burocrático, isso é! Colocou dentro da mesma caixinha esquemática que Eastwood colocou Menina de Ouro!
Gostei de como é filmado, meio retrô, travellings e zooms.
Realmente, todo o suspense do "explode mas não explode", dá nas bolas...
Mas spielberg nunca passou disso mesmo, apesar da criatividade.

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